Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
1994. Exatamente há vinte anos, durante um carnaval, eu me mudava para a casinha então branca em que resido até hoje. Foi um presente generoso e amoroso de meus pais para mim, facilitando e muito a minha vida, me permitindo fazer escolhas difíceis (largar o emprego em jornalismo para viver da bolsa do mestrado e depois como professora, por exemplo), me conferindo autonomia e permitindo, com respeito, amor e compreensão, que eu vivesse minha vida da forma que eu escolhi pra mim. Nunca terei palavras para expressar minha gratidão para com eles por isso, pela casa, pelo amor e pelo respeito ao jeito de cada filho.

Nesses vinte anos, ela mudou de cor, quando fiz a obra dos dez anos vivendo aqui, virou a casinha amarelinha, como é agora conhecida por muitos. Talvez esse ano mude de cor de novo. Na obra dos dez anos, troquei o piso, pintei janelas, mudei minha sala toda, construí o puxado da churrasqueira lá atrás, me reinventei, como bem disse minha amada amiga Claudinha. Agora devo fazer a obra dos vinte anos, vamos ver no que dá. :)

Nesses anos, por aqui passaram amores, amigos, família, fiz muuuuuuuuuuuuitos churrascos, almoços, jantares, caranguejadas, camaroadas, festival de saladas, pizza, bebedeira,bicicleta, cesta de basquete, salão de jogos "Cátia Vanni", combate aos pombos, Jarbas e Plínio, bichos de pelúcia na janela, hóspedes, teve ano novo, teve aniversário, teve festa por nada, teve xurras "uhu é pijamão", teve encontro do GRECOS, teve muito violão, comes e bebes, choro, riso, povo jogado dormindo pelos quartos, pela sala, teve muita virada de noite, teve jogatina, café no dedal, cachorro-quente, lanche, café da manhã, dissertação, tese, concurso, novela na tv, internet direto e reto, visita na madrugada, teve encontro e desencontro, teve rede na varanda, noites e domingos de silêncio, vizinhos ótimos e inesquecíveis, vizinhos escrotos e processáveis, tempos de penúria, sem tv, sem telefone, sem carro, orelhão de ficha, teve aprender a cozinhar, teve aprender a matar barata, teve aprender a conviver com o silêncio e a solidão, teve muito beijo na boca, dias e noites calientes, teve muita música, estudo, filme, leitura, conversa, praia, teve private piscinão de ramos, teve uma turma muito boa de apoio (Eliane e Márcia, minhas faxineiras guardiães; seu Antonio, meu bombeiro-hidráulico faz tudo e meio pai/conselheiro/amigo; Rubens, meu faz tudo doidinho e sempre caprichoso; Cátia Bubu e Marjo, que me ajudam sempre com a cachorrada), teve toalha feita pela mãe, pano de prato feito pela mãe, enfeites feitos pela mãe, teve jardim plantado e replantado por madrinha e por amores, móveis herdados de outras casas, móveis comprados novos e usados, tevê de 29" que me fez até chorar de emoção, teve paixão, teve pé de acerola que secou mas deu muita fruta antes, teve a cachorrada amada (Xuxa, minha pastora inesquecível; Vaca e Jujuba, 16 anos de muito amor; e as safadas da Zara e da Bebel, que aqui vivem agora), teve muito apoio logístico familiar. Teve momento de "vou ficar aqui pra sempre"; teve momento de "quero me mudar ainda esse mês". Teve poltrona no escritório; sofá vermelho na sala; baú com casinhas que todo mundo adora; meus livros nesse escritório que amo; reforma na cozinha que pretendo fazer esse ano; quarto de hóspedes sempre bagunçado; teve sempre muita vida, essa danada dessa casa. Nossa, vinte anos!

Talvez o maior símbolo dessa história seja o pinheiro, que veio pra cá assim que cheguei na casa, veio num vaso, pra servir de árvore no natal. Depois ficamos com pena e plantamos no jardim. Ainda miudinho. Ele hoje é enorme, lindo e imponente, e toda vez que olho pra ele sinto minha história inscrita e escrita nessa casa.







Obrigada, pais generosos e amorosos, que me deram esse lar. Obrigada, minhas amadas, que durante esta vida dividiram esse espaço comigo, cada uma com sua forma de estar e amar a casa. Obrigada, meus amigos, por estarem sempre aqui, enchendo essa casa de afeto, alegria, confusão e luz. Esta casa é cheia de vida, esta vida é a minha, e só tenho a agradecer por ela.

PS: atualizando pós-reforma, e com o pinheiro cada vez mais intenso!





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5 Responses
  1. dulceterra Says:

    Emocionante Ana! Muito lindo tudo o que você escreveu. Agradecer é tão necessário e tão difícil, dentro da nossa cultura poliqueixosa! Reconhecer a dádiva é maturidade.Bjos.


  2. Lu Ribeiro Says:

    Deu água bos olhos... me alegra muito ter passado tantos bons momentos no seu lar, doce lar. Adoro todas as possibilidades da erico aragão q é loja de cd, biblioteca, colônia de férias e, antes de tudo, um lugar pra ser feliz. Sempre! bj


  3. . carolina . Says:

    A casa da gente é sempre uma delícia, né? Recentemente tive que me desfazer da minha em Cabo Frio (fui pra duas ruas atrás, rs), casa que meus avós construíram um pouco depois de chegarem à cidade, Que tinha mais de 50 anos, que fui uma das primeiras do Portinho na época que ninguém morava lá por medo do cemiterio. Enfim, por questões financeiras e de manutenção a deixamos e sei que ela vai ser demolida. Muitos não entendem porque acho isso um tanto difícil, mas é justamente por tudo o que você escreveu da sua. É palco da vida. Não tem como não sentir afeto, carinho, conforto no seu lar.

    No nosso caso, mas mudanças foram necessárias e, além de continuarmos no mesmo bairro, estamos numa casa muito gracinha e confortável. Mas é ao mesmo tempo triste.

    Espero que você tenha mais 20 anos de memórias felizes na sua casa. É muito bom!


  4. Anônimo Says:

    Desses 20 anos eu vivi nessa casa quase 10. Planejei 300 mil obras virginianas e consegui uma, a do puxadinho da churrasqueira, da troca da ardósia horrorosa, do amarelinho lindo das paredes. Fui muito feliz nessa casa, onde não residi de fato, mas passei os melhores momentos da minha vida, as melhores risadas e os choros mais confortantes, sem dúvida. Ainda amo parar meu carro ai na frente, tocar esse interfone (ou a antiga campainha com os fios p fora) e saber que estou e estarei sempre em casa. :) <3 <3 <3


  5. Anônimo Says:
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